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  • Espanha. Grupo 'La Manada' libertado sob fiança de seis mil euros Esta quinta-feira o Tribunal de Navarra decretou que os cinco homens seriam libertados, na condição de pagarem, cada um, uma caução de seis mil euros. O grupo de cinco homens conhecidos como La Manada (A Manada) foi esta sexta-feira libertado sob caução. O Tribunal de Navarra […]

Medida Contrato-Emprego: Abertura do 1.º período de candidaturas de 2018

2 Março, 2018
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Abertura do primeiro período de candidaturas à medida Contrato-Emprego do IEFP

Encontra-se aberto o primeiro período de candidaturas do ano em curso, à medida Contrato-Emprego que visa a concessão à entidade empregadora de um apoio financeiro à celebração de contrato de trabalho com desempregados/as inscritos/as no Instituto de Emprego e Formação Profissional, IP (IEFP).
O período de candidatura decorre entre as 9h00 do dia 1 de março e as 18h00 do dia 31 de março de 2018, nos termos do aviso de abertura. Tem uma dotação orçamental de 15 milhões de euros, prevendo-se apoiar cerca de 4.000 pessoas.

Medida Contrato-Emprego: Abertura do 1.º período de candidaturas de 2018

Abertura do primeiro período de candidaturas à medida Contrato-Emprego, que visa a concessão, à entidade empregadora, de um apoio financeiro à celebração de contrato de trabalho com desempregados/as inscritos no IEFP.
A dotação orçamental para a primeira fase de candidaturas é de 15 milhões de euros, sendo 5,5 milhões para o Norte, 4,2 milhões para Lisboa e Vale do Tejo, 3,5 milhões para o Centro, 1,1 milhões para o Alentejo e 700 mil euros para o Algarve.

A medida Contrato-Emprego visa a concessão, à entidade empregadora, de um apoio financeiro à celebração de contratos de trabalho com desempregados/as inscritos/as no IEFP. O apoio financeiro é atribuído aos empregadores que celebrem contratos de trabalho sem termo ou a termo certo, por prazo igual ou superior a 12 meses, com a obrigação de darem formação profissional aos trabalhadores/as contratados/as.
No caso de contratos sem termo, o apoio corresponde a nove vezes o valor do Indexante de Apoios Sociais (IAS), ou seja, a 3.860 euros.  No caso de contratos a termo, o apoio do IEFP é de três vezes o IAS, isto é, de 1.287 euros.
O apoio financeiro pode ser majorado em algumas situações, como é o caso de contratação de desempregados/as beneficiários/as do Rendimento Social de Inserção, pessoa com deficiência, pessoa que integre família monoparental ou no caso do posto de trabalho estar em território economicamente desfavorecido.
No presente período de candidatura será também possível a formalização dos pedidos do Prémio de Conversão dos contratos de trabalho a termo certo anteriormente apoiados em contratos sem termo, que tenham sido convertidos entre o dia 1 de outubro de 2017 e o dia 31 de março de 2018, inclusive.
A candidatura é efetuada no Portal Netemprego, na área pessoal de cada entidade, através de sinalização de oferta de emprego registada nesse portal, desde que a mesma cumpra os requisitos de elegibilidade e que a empresa tenha manifestado a intenção de apresentar uma candidatura.
O período de candidatura decorre entre as 9h00 do dia 1 de março e as 18h00 do dia 31 de março de 2018, nos termos do aviso de abertura. Tem uma dotação orçamental de 15 milhões de euros, prevendo-se apoiar cerca de 4.000 pessoas. 

Candidaturas no âmbito da Medida Contrato-Emprego

A candidatura é efetuada no Portal Netemprego, na área pessoal de cada entidade, através de sinalização de oferta de emprego registada nesse portal, desde que a mesma cumpra os requisitos de elegibilidade e que a empresa tenha manifestado a intenção de apresentar uma candidatura.
O período de candidatura decorre entre as 9h00 do dia 1 de março e as 18h00 do dia 31 de março de 2018, nos termos do aviso de abertura. Tem uma dotação orçamental de 15 milhões de euros, prevendo-se apoiar cerca de 4.000 pessoas. 
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Desemprego de longa duração UE 2015

17 Setembro, 2015
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Desemprego longa duração UE2015Desemprego de longa duração União Europeia

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São mais de 12 milhões de pessoas em toda a UE.

Um número que duplicou em sete anos. Conheça as novas orientações da Comissão Europeia para melhorar a ajuda prestada aos desempregados de longa duração.

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Long Term Unemployment in Europe 2015

With more than 12 million people in long-term ‪‎unemployment in the EU,Commissioner ‪Marianne ‪Thyssen has just announced a new European Commission proposal to help get people back to work who have been out of a job for more than a year.

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Atualmente, há mais de 23 milhões de pessoas sem emprego na Europa, metade das quais engrossam as fileiras do desemprego de longa duração, com mais de  12 milhões de pessoas, o dobro do valor registado em 2007 .

No entanto, apenas 70%  dos empregados de longa duração estão sinalizados e registados nos centros de emprego. É necessário aplicar medidas que visem incentivar o registo dos desempregados de longa duração junto de um serviço de emprego, de forma a proporcionar melhor orientação, formação e acesso a apoios financeiros.

Nesse sentido, a proposta apresentada pela Comissão Europeia prevê que todos os desempregados de longa duração sejam abrangidos por um plano individual de regresso ao mercado de trabalho no prazo máximo de 18 meses.

Marianne Thyssen, Comissária para o Emprego, os Assuntos Sociais, as Competências e a Mobilidade dos Trabalhadores, salienta que:

«O desemprego de longa duração é um dos mais difíceis e prementes desafios causados pela crise económica, afetando mais de 12 milhões de pessoas na Europa. Uma parte cada vez maior da nossa população fica assim exposta ao risco de pobreza e exclusão social. Temos de intervir para lhes dar o seu lugar no mercado de trabalho. Não podemos ficar satisfeitos com uma recuperação económica que deixa tantos europeus entregues a si próprios.»

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Portugal era em 2014 quinto país da União Europeia com a maior taxa de desemprego de longa duração (8,4%) e com a quinta taxa mais alta de desemprego de muito longa duração (5,6%)

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Conheça aqui a  Proposta da Comissão Europeia  para  a integração dos desempregados de longa duração no mercado de trabalho.

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Video Long-term Unemployment in Europe 2015

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“… os estágios estão de facto a substituir os empregos”

29 Julho, 2010
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Emilie Turunen e o desemprego entre os jovens: uma mensagem da sociedade a dizer “não precisamos de ti”

  • “… os estágios estão de facto a substituir os empregos”
  • “Claro que é necessário reduzir os défices públicos, a questão é saber com que rapidez e através de que meios”
  • A crise económica atinge profundamente os jovens e o desemprego entre as camadas mais novas da população em idade activa é um problema extremamente grave em muitos países europeus. A taxa de desemprego entre os jovens é duas vezes superior à taxa média de desemprego. No dia 5 de Julho, a eurodeputada dinamarquesa Emilie Turunen vai apresentar ao plenário o seu relatório sobre a matéria, que contém propostas específicas de promoção do acesso dos jovens ao mercado de trabalho.


    Por que é que a taxa de desemprego entre os jovens é tão elevada? Quais são as barreiras com que os jovens se confrontam no actual período de crise?

    ET: Sabemos de crises anteriores que os jovens são mais afectados porque são recentes no mercado de trabalho, o que significa que são os últimos a ser contratados e, em muitos casos, os primeiros a ser despedidos. Sabemos que muitos jovens, sobretudo na Europa do Sul, têm contratos de curta duração, o que faz com que seja mais fácil despedi-los e prescindir dos seus serviços durante a crise. Por outro lado, se as empresas não contratarem novos empregados por causa da crise, os recém-licenciados não têm onde trabalhar. Assistimos a um fenómeno idêntico durante a década de 1980, quando praticamente uma geração inteira ficou no desemprego. Tenho receio de que estejamos a repetir o mesmo erro. Todos os empregadores dizem que é difícil contratar jovens porque não têm experiência. Os empregadores querem pessoas que estejam aptas a trabalhar desde o início. Essa á uma das barreiras que temos de ultrapassar.


    Muitos jovens acabam a fazer estágios extremamente mal remunerados e com pouca protecção social. Estarão os estágios a substituir os empregos?

    ET: É um facto! O número de estágios aumentou muito em países como França e Alemanha, enquanto, no mesmo período, o número de empregos diminuiu. É um bom indicador de que os estágios estão de facto a substituir os empregos e não são poucos, são milhões. É fundamental garantir que os estágios têm um carácter pedagógico e não substituem postos de trabalho. No relatório apelamos a uma “Carta Europeia da Qualidade dos Estágios”. Deveria ser celebrado um contrato com a instituição de ensino que garantisse que os estágios são efectuados durante os estudos e não depois de os mesmos terem terminado, não tenham uma duração superior a seis meses e não substituam os postos de trabalho. O texto apresenta algumas soluções sobre o conteúdo dessa Carta.


    Quais poderão ser os efeitos a longo prazo do desemprego entre os jovens, para os próprios jovens e para a sociedade em geral?

    ET: Não podemos subestimar os efeitos do desemprego nas pessoas. É como receber uma mensagem da sociedade a dizer: “não precisamos de ti”. Li diversos estudos de elevada qualidade sobre este assunto e um deles compara a geração de jovens dos anos 80 com a actual geração e concluiu que o desemprego se transformou num mal interior, ou seja, as pessoas não culpam os governos nem a sociedade pela não criação de empregos, culpam-se a si próprias. Começam a questionar-se: “serei suficientemente competente? Nesse sentido, a crise transforma-se numa crise individual e não numa crise colectiva. Trata-se de um enorme desafio para a sociedade. É extraordinariamente dispendioso ter tantas pessoas desempregadas. Além disso é um desperdício de recursos e capital humanos, de competências e das pessoas que deverão construir as nossas sociedades no futuro. Nesse sentido, penso que estamos a colocar as nossas economias em risco por não estarmos a fazer o suficiente nesta matéria.


    Com os actuais cortes orçamentais em muitos Estados-Membros, será realista esperar que os governos gastem mais com políticas da juventude?

    ET: Infelizmente, não é isso que vejo quando analiso as decisões dos governos. A visão do nosso grupo sobre a gestão da crise ainda não é a visão prevalecente na Europa. De um modo geral, os Estados-Membros escolheram o modelo alemão de cortes orçamentais, o que na minha opinião irá piorar a situação. Vamos entrar em recessão, o desemprego vai aumentar e vamos aniquilar o ligeiro crescimento que estava a ter início. Claro que é necessário reduzir os défices públicos, a questão é saber com que rapidez e através de que meios.


    Quais são os dois principais instrumentos de que a UE dispõe para ajudar os jovens?

    ET: Por um lado, a “Carta Europeia da Qualidade dos Estágios”, que deve garantir que, se for requerida experiência prática durante o percurso académico, a mesma deve respeitar determinadas condições. Não existe qualquer instrumento de regulamentação dos estágios. Em segundo lugar, sugerimos a introdução de uma Garantia Europeia da Juventude que assegure a todos os jovens da UE o direito a receber uma oferta de emprego, um estágio, formação profissional suplementar ou combinação de trabalho e formação profissional após um período máximo de 4 meses de desemprego.

    in http://www.europarl.europa.eu/news/public/focus_page/008-76988-176-06-26-901-20100625FCS76850-25-06-2010-2010/default_p001c002_pt.htm

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    Desemprego jovem: Portugal fica acima dos 20% até 2012

    19 Abril, 2010
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    A geração dos 15 aos 24 anos é penalizada pela falta de criação de emprego
     
    Um em cada cinco portugueses entre os 15 e os 24 anos está desempregado. A crise actual, que passou de financeira a económica, é também social. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal tem uma taxa de desemprego jovem de 21,1%, um número que não deve descer significativamente nos próximos anos. O desemprego jovem em Portugal vai manter-se acima dos 20% até 2012.

    por Nuno Aguiar, in ionline

    Nos últimos dois anos, assistiu-se em Portugal a uma escalada da taxa de desemprego. Fábricas a fechar, trabalhadores despedidos e empresas impedidas de contratar. No entanto, apesar de os trabalhadores com mais de 25 anos constituírem a fatia principal da mão-de-obra, se há segmento que tem sentido a curva ascendente no desemprego é o dos jovens. Em 2007, a taxa de desemprego entre os 15 e os 24 anos era 16,1%. Hoje é cinco pontos percentuais superior e a OCDE estima que no final de 2011 continuará elevada, nos 20,9%, mais do dobro da taxa de desemprego entre os adultos (ver gráfico). Uma perspectiva que pode ter como consequência o adiamento do tão falado processo de qualificação da mão-de-obra disponível em Portugal.

    “Até 2009 assistiu-se a uma criação líquida de emprego qualificado significativo, apesar de nessa altura já se registar um ligeiro aumento do desemprego”, afirma Pedro Adão e Silva, investigador do Instituto Universitário Europeu. “O problema é que o mercado vai estar congelado. A destruição de emprego pode até nem continuar, mas também não haverá uma dinâmica de criação”, conclui.

    A crise económica impôs uma travagem a fundo na criação de emprego, com limitações que dificultam a obtenção de emprego pelos mais novos. A OCDE também não tem dúvidas: “As perspectivas a curto prazo para o desemprego jovem nos países da OCDE continuam sombrias”, pode ler-se no relatório. A organização que junta os países mais desenvolvidos do mundo estima que, apesar de a retoma já ter começado em alguns países, o nível de desemprego continuará a ser preocupante. “A criação de emprego deverá ficar significativamente para trás em relação à recuperação económica. Neste contexto, estima-se que o desemprego jovem permaneça a um nível elevado nos próximos dois anos e muitos jovens desempregados deverão passar por períodos prolongados de desemprego.”

    O perfil adiado A elevada taxa de desemprego jovem é ainda mais preocupante para Portugal, tendo em conta os esforços para mudar o perfil de mão-de-obra do país. A crise veio atrasar o processo de qualificação da população activa, que tinha como objectivo deixar de apresentar a mão-de-obra barata como o principal cartão de visita do país.

    “Esta crise é mais dramática, porque além das dificuldades económicas que acarreta, acentua as nossas debilidades estruturais e torna mais difícil ultrapassá-las”, explica Adão e Silva. “O processo de mudança de perfil da mão-de-obra, que, por si só, já é uma transição demorada e que não seria feita nesta ou na próxima legislatura, é adiado”, garante.

    No entanto, Portugal está longe de ser o único nesta posição. A subida do desemprego é um fenómeno comum a todos os países da OCDE, onde nos últimos dois anos o desemprego jovem subiu seis pontos percentuais. Actualmente, existem 15 milhões de jovens desempregados nos países da OCDE, mais quatro milhões do que no final de 2007. Em Espanha, por exemplo, a taxa de desemprego jovem é de quase 40% e na Irlanda registou-se uma subida de mais 18 pontos percentuais nos últimos dois anos.

    Porquê os jovens? Toda a gente conhece pelo menos uma história de um recém-licenciado que não consegue arranjar emprego. Mas por que são os jovens sempre muito penalizados quando o desemprego sobe? Segundo Pedro Adão e Silva, existem algumas dificuldades que vêm sempre à tona em contextos de crise. “As crises tendem a aprofundar a segmentação do mercado e a diferença entre emprego mais protegido e menos protegido. No último segmento estão obviamente incluídos os jovens, uma faixa etária onde os vínculos precários são mais comuns”, sublinha. “Além disso, é muito mais difícil entrar num mercado do que já lá estar presente”

    O relatório da OCDE refere ainda que falhar na procura do primeiro emprego ou ter dificuldades em conservá-lo poderão deixar cicatrizes para o futuro. “Além dos efeitos negativos no salário e empregabilidade futura, períodos longos de desemprego enquanto jovem criam muitas vezes cicatrizes permanentes através de efeitos nocivos, incluindo felicidade, satisfação no trabalho e saúde”, revela o relatório.

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    Profissão: estagiário!

    13 Abril, 2010
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    Servir cafés, tirar fotocópias, fazer de paquete ou separar envelopes foram, em tempos, os maiores receios na vida de um estagiário. Mas se perguntarmos hoje a um dos mais de 30 mil destes “trabalhadores em curso” que existem no país o que mais teme, a resposta será provavelmente outra: ser eternamente estagiário.

    Para quem já fez de tudo, tirar fotocópias seria simples. Três anos depois do fim do curso de Cinema, o Nuno já passou por um clube de vídeo, uma empresa de aluguer de material de imagem, pequenos trabalhos em publicidade, até chegar à produtora onde está agora num estágio de nove meses como assistente de imagem. “Sempre me dediquei a tudo o que fiz e sei que tenho capacidade para mais. Pergunto-me: ‘O que ando a fazer mal?'”

    Saiu do Conservatório em 2008 e até ao último dia de faculdade, confessa, “preferia nem pensar no que estaria para vir”. Enviou dezenas de vezes o currículo, sem obter resposta. Até encontrar um primeiro estágio, “onde me pagariam alguma coisa”. Nunca chegou a começar. A empresa exigiu um protocolo com a universidade para que fosse um estágio não-remunerado. Como Nuno já tinha acabado o curso, foi recusado. Voltou ao zero, mas não parou. “O pior de estar desempregado é ficar em casa. Aí, sim, é horrível. Eu tinha de sair, nem que fosse para falar com alguém.” Arranjou um trabalho num clube de vídeo, enquanto um dos amigos aceitava ser motorista privado. Ao fim de um mês, decidiu agarrar-se a oito meses não-remunerados numa empresa de aluguer de equipamento de imagem. “Limpava, abria, arranjava o material. Tornei-me muito competente.”

    Oito meses depois, arrumava o material e partia para outro estágio. Desta vez numa produtora, onde trabalha 12 horas diárias, a 300 euros por mês e com recibos verdes. Se não vivesse com os pais, diz, seria impossível sobreviver. “Se pagasse renda, comia latinhas de feijão o resto do mês.” Recorda os tempos de faculdade, em que ficava sem comer para poder comprar um mp3. “Isso eram coisas que fazia com 19 anos. Acontecer-me agora, aos 23, deixa de ter piada.”

    Confessa que gostaria de viver sozinho ou ter um carro, mas empurra esses desejos para um futuro que espera próximo. “Consigo gastar só 150 euros por mês. A minha liberdade custa 22 euros: é o passe da Carris.”

    A saga dos advogados

    É com uma remuneração menos esticada que vive o Pedro, advogado estagiário. Durante seis meses recebeu 150 euros. “Quando saí da faculdade, a vontade de trabalhar era tanta que me era indiferente.” Está numa sociedade de advogados em Lisboa e a pouco tempo de fazer o exame na Ordem dos Advogados, que poderá pôr fim ao tempo de estagiário. Licenciou-se em Direito, fez Erasmus em Roma e lembra que foi fácil conseguir o estágio. Três anos depois, trabalha entre 10 a 11 horas por dia e ganha 600 euros. Recorda a fase passageira do trabalho administrativo, “inerente ao cargo de advogado estagiário”. Digitalizar documentação ou fazer deslocações na rua são exemplos, “embora nunca tenha chegado a paquete profissional”, confessa, a rir.

    Aos 29 anos, diz não viver muito preocupado com a sua posição. “Um dia perguntei à minha mãe se eu iria passar fome caso não saísse disto. Ela disse-me que não. Portanto, estou calmo.” Vive sozinho em Lisboa, mas não paga renda nem tem despesas (pagam os pais). O que ganha chega para os gastos. Mas há uma proibição para qualquer estagiário. “Nunca dividir o que se ganha pelas horas que se trabalha, pois pode ser perigoso.” O perigo é que a conta dê um resultado inferior a um euro. “E a consequência é poder querer ser ‘homem-a-dias’…”

    Muito trabalho, pouco dinheiro

    É um perigo que a Catarina, aos 22 anos, não corre. Licenciada em Ciências da Comunicação, fez um estágio não-remunerado de um mês num jornal diário ainda durante o curso. Durante 16 meses respondeu a todos os anúncios para jornalista, sem obter qualquer resposta. Acabou por ser recepcionista e pouco depois optou por trabalhar na Zara. “Era passageiro. Não aguentava estar sem fazer nada.” Conseguia 220 euros por mês, a trabalhar quatro horas diárias.

    Em Novembro passado, encontrou um estágio numa revista. Ficou delirante. Durante três meses foi jornalista e trabalhou sem horários, sem gozar fins-de-semana nem feriados, se necessário. Tudo sem nada receber. Sabia, à partida, que tudo acabaria no último dia de estágio. “Conseguia sentir-me bem, mesmo assim.” Ao fim dos três meses, surgiu uma oportunidade. Outro estágio com uma data de saída previamente definida. “Tenho a noção de que estar ali eu ou vir outra pessoa estagiar a seguir é totalmente indiferente.”

    Em busca de um lugar

    Há milhares de licenciados à procura de emprego, e o estágio é uma esperança. Em Junho de 2009, eram 37.692 os desempregados com formação superior, diz um relatório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES). Em Dezembro de 2009, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) registava 22.266 estágios profissionais, excluindo os estágios curriculares a decorrer com base em protocolos com universidades.

    Defendendo que um estágio é sempre uma oportunidade, Amândio da Fonseca, presidente da EGOR (empresa de recursos humanos), lembra: “Estágio faz-se uma vez.” “Ao adquirir competências num primeiro estágio, parte-se para um emprego. Não é natural que seja de outra forma.” Um estágio deverá “ser favorável” para a entidade empregadora e para o estagiário. Mas há diferenças de empregabilidade consoante a formação. “A Matemática é a fronteira, é a disciplina que empurra muitos estudantes para outros cursos, que por sua vez vão libertar mais gente para o mercado de trabalho”, explica. “Tudo acontece como consequência do passado escolar.” De acordo com o mesmo relatório do MCTES, dos cerca de 38 mil licenciados sem emprego, 20% eram de Ciências Empresariais, seguidos das Ciências Sociais e do Comportamento (13%), Engenharia e Técnicas (9%), Formação de Professores e Ciências da Educação (8%) e Artes (6%).

    As perspectivas são realmente mais positivas para quem está a acabar uma licenciatura em Engenharia Civil, como é o caso da Sofia, 24 anos. “Não temos estágio obrigatório, portanto por vezes começamos logo a trabalhar, e as empresas vêm procurar-nos à faculdade.” Confessa estar “muito perdida” em relação ao que quer fazer. Optou por estagiar seis meses num banco, como experiência de trabalho. Foi “bem remunerado”, apesar das funções distantes da engenharia.

    Para um recém-licenciado, há um conselho a dar, segundo Amândio da Fonseca: “Podem tentar uma reconversão para novas profissões, há pequenos cursos que o facilitam.” Foi essa a solução que o Francisco, 25 anos, encontrou, meses depois de se licenciar em Direito. Dois meses de estágio numa sociedade de advogados foram suficientes para perceber que afinal “não queria fazer nada daquilo no futuro”. E esse foi o principal motivo da mudança. Gostava de publicidade, inscreveu-se num curso para copywriter e começou a ir às aulas à noite. Meses depois pedia para acabar o estágio em advocacia.

    Conseguiu um primeiro estágio numa agência de publicidade, a ganhar perto de 500 euros. Satisfeito por ter escapado à vida de advogado, saltou para o terceiro estágio numa das maiores agências de publicidade, onde está agora. “É natural que no início da carreira as coisas sejam complicadas. Se saltei de estágio foi porque não sabia o que queria.” Com a possibilidade de ficar na agência, revela que o pior seria voltar ao zero. “Estagiar outra vez seria desmoralizante.”

    Percursos diferentes

    Mas os percursos podem ser totalmente diferentes. Aos 21 anos, a Ingrid passou de estudante a estagiária no mesmo dia. Horas depois do último exame da licenciatura em Publicidade e Marketing, caminhava para a primeira entrevista de trabalho. “Foi o primeiro currículo que enviei.” Aceite na agência de marketing digital, começou por ganhar 150 euros, aumentados entretanto. “Sei que tive sorte. Só não tive férias desde então”, brinca. Vive em casa dos pais e consegue pôr de parte algum dinheiro. “Se vivesse sozinha não dava.” Depois de chegar a gestora de projecto, confessa que a perspectiva que tem “por enquanto é optimista”.

    Já distante do primeiro estágio, a Ivone tem uma opinião diferente. “Deixei de fazer planos a longo prazo. Estabeleço metas de um ano, o tempo de cada estágio.” Terminou o curso em 2007 e lançou-se num estágio num ateliê de arquitectura. Mas depois de ter feito Erasmus, tinha ficado a vontade de voltar a saltar fronteiras. “Estava na hora de sair outra vez. Até porque essa era a única forma de ser remunerada.” Barcelona acolheu-a para o segundo estágio, que valeu pela experiência, mas “nos últimos dois meses não tinha muito para fazer”. Era momento para mais uma decisão. “Olhei para o mapa e tinha duas hipóteses: seguia em frente, para lá de Espanha, ou voltava para trás, para Portugal.” Recuou e começou o terceiro estágio, onde está agora, aos 26 anos, com uma bolsa do programa INOV-Jovem.

    Ser do Algarve tem uma agravante: estar fora da casa dos pais, obrigando-a a pagar renda mensalmente. Poupar é uma das coisas que se aprende a fazer. “Jantar fora nem pensar.” Reduzem-se gastos com “roupas, acessórios e revistas”. “As distracções evitam-se e arranjam-se soluções, como saber os dias mais baratos no teatro ou ir a exposições gratuitas. Vou-me moldando.” Mas sem se conformar.

    Sair para o estrangeiro

    A vontade de sair do país é partilhada por quase todos. É uma das consequências da actual situação de desemprego, segundo o presidente da EGOR, lembrando que Portugal é um país com muitos “emigrantes de luxo”. O sentimento de frustração, ainda que “positivo”, é para a Ivone a razão de saída. “Sentes que não te aproveitam, não te dão uso. Não somos reconhecidos pelo que estamos a fazer.” O Nuno aspira também a um dia sair. “Pensei muito e acho que preciso de um recomeço. Preciso de esquecer o que veio até agora, limpar tudo e apostar em algo novo.”

    Ainda que um dia tenham optado por profissões distintas e que tenham idades que cobrem uma década, há algo que ultrapassa essas diferenças. Ser estagiário, hoje, é partilhar uma mesma língua. E no dia em que faltarem os estagiários, confirmam, a força trabalhadora perder-se-á um bocadinho.

    por Raquel Albuquerque  in  jornal expresso

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    Mais desemprego na Região Norte

    25 Março, 2010
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    Conjuntura

    A conjuntura da Região Norte apresentou “algumas evoluções positivas” no último trimestre de 2009, mas insuficientes para se fazerem sentir no mercado de trabalho. Na mesma altura, a taxa de desemprego atingiu um novo máximo, 11,9%.

    No último trimestre de 2009, “o diferencial entre os níveis de desemprego nacional e da região Norte atingiu os 1,8 pontos percentuais e é o mais elevado que há registo”, de acordo com o relatório “Norte Conjuntura”, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

    No que diz respeito à taxa de emprego, a situação também não é melhor, já que segundo o mesmo documento a média anual desceu 3,2%, sendo que no 4º trimestre de 2009 diminuiu 3,1% face ao mesmo trimestre de 2008, embora tenha registado um crescimento de 0,9% entre o terceiro e o quarto trimestre.

    Os sectores que mais contribuíram para estes números foram as indústrias transformadoras (-27 mil), a construção (-17 mil), Alojamento e restauração (-14 mil), administração pública (-9 mil). O crescimento entre trimestres deveu-se ao aumento de postos de trabalho nos serviços de educação (9 mil), saúde (7 mil) e sector primário (6 mil). Quanto ao salário médio na região, o documento aponta para os 720 euros, o que representa uma subida de 4,7% face a período homólogo.

    in Jornal de Notícias

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      Abertura Candidaturas para Financiamento de Projetos no âmbito do Programa Nacional para a Saúde Mental

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      Abertura de Candidaturas para Financiamento de Projetos no âmbito do Programa Nacional para a Saúde Mental A Direção-Geral da Saúde abriu 6 concursos para financiamento de projetos no âmbito do Programa Nacional para a Saúde Mental para entidades coletivas privadas sem fins lucrativos. Candidaturas até 25 de julho de 2018. A Direção-Geral da Saúde (www.dgs.pt) […]

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