Aquecimento global: ONU prevê quadro pessimista

Aquecimento global: ONU pede redução das emissões de carbono para se evitar "catástrofe climática". Temperatura média do planeta pode subir 3,2º C.

As emissões de carbono que estão a aumentar todos os anos devem ser reduzidas 7,6% por cada ano, entre 2020 e 2030, para se evitar a “catástrofe climática”, alertou esta terça-feira a ONU.

A temperatura do planeta pode subir 3,2 graus centígrados neste século se as metas das emissões globais de gases não se tornarem mais ambiciosas e imediatas. 

Em 2018, foram produzidas 55,7 gigatoneladas de dióxido de carbono no mundo. Para viabilizar o Acordo de Paris (2015), assinado por mais de 190 países, seria preciso que a taxa de emissões começasse “imediatamente” a decrescer 7,6% por ano, entre 2020 e 2030, quando na última década esta taxa tem estado a subir 1,5% ao ano.

As conclusões são do Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2019, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado nesta terça-feira, a uma semana da 25.ª Cimeira do Clima, em Madrid.

"É preciso agir agora!"

As Nações Unidas sublinham que 2020 vai ser um ano “crucial para a ação climática”, esperando-se que vários países aumentem as promessas de redução da Cimeira do Clima de Glasgow.

“O nosso fracasso coletivo no momento de atuar de forma enérgica em relação às alterações climáticas significa que devemos conseguir fortes reduções de emissões”, disse Ingre Andersson, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. “Cada cidade, cada região, cada negócio, cada indivíduo, deve atuar agora”, acrescentou.

 

As soluções existem

O relatório aponta que é possível atingir a meta de 1,5 grau até 2030; a tecnologia existe e há um entendimento maior dos benefícios adicionais da ação climática, em termos de saúde e economia. Muitos governos, cidades, empresas e investidores estão envolvidos em iniciativas ambiciosas para reduzir as emissões. 

Os países em desenvolvimento, que sofrem desproporcionalmente com as mudanças climáticas, podem aprender com os esforços bem-sucedidos nos países desenvolvidos, diz o PNUMA, e podem até ultrapassá-los, adotando tecnologias mais limpas a um ritmo mais rápido.  

O chefe do PNUMA disse que, apesar dos números, foi possível evitar o desastre: “Devido à procrastinação climática que tivemos essencialmente nos últimos 10 anos, estamos observando uma redução de 7,6% a cada ano” nas emissões. “Isso é possível? Absolutamente. Será necessária vontade política? Sim. Precisamos ter o setor privado inclinado? Sim. Mas a ciência nos diz que podemos fazer isso”.

 

Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2019

 

Todos os anos, o relatório do PNUMA avalia a diferença entre as emissões previstas para 2030 e os limites traçados de 1,5º C e de 2º C para a temperatura do planeta no Acordo de Paris.

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