Relatório da ONU sobre as alterações climáticas: mudanças no uso dos solos e no consumo alimentar é fundamental

Relatório da ONU sobre as alterações climáticas alerta que o aquecimento global só poderá ser travado com mudanças no uso dos solos e no consumo alimentar

A segurança alimentar mundial está cada vez mais em risco devido ao impacto “sem precedentes” das alterações climáticas. É preciso consumir menos carne, cultivar a terra com menos produtos químicos e proteger as nossas florestas, para tentar controlar o aquecimento global. É esta a mensagem do mais recente relatório da ONU sobre as alterações climáticas.

Mais de 100 especialistas de 52 países alertam que aumento das temperaturas globais, formas intensivas de cultivo e exploração de gado colocam em risco a segurança alimentar do planeta.

O relatório destaca que “a terra já está sob crescente pressão humana e a mudança climática aumenta essas pressões”. E  mostra como a gestão sustentável dos recursos do solo pode ajudar a enfrentar as mudanças climáticas. 

Aquecimento Global

Os/As especialistas concluíram que o aquecimento das superfícies emergentes está a aumentar a uma maior velocidade do que o aquecimento global, tendo progredido 1,53ºC. O relatório prevê “riscos importantes” de falta de água nas zonas áridas, incêndios e instabilidade alimentar com um aquecimento global de 1,5ºC, passando a “muito importantes” se o aquecimento for de 2°C.

Para se conseguir manter o aquecimento global abaixo dos 2º C  deve haver uma redução das emissões de gases de efeito estufa em todos os setores, incluindo terra e alimentação

O solo é um recurso crítico

Aproximadamente 500 milhões de pessoas vivem em áreas que sofrem desertificação. As regiões áridas e zonas que sofrem desertificação estão mais vulneráveis às alterações climáticas e a eventos extremos, incluindo secas, ondas de calor e tempestades de poeira.

De acordo com os/as especialistas, o ser humanos está presente em 75% da superfície do planeta e as formas de cultivo contribui para o aumento das emissões de gases com feito de estufa, comprometendo a produção e a segurança alimentar. 

Sendo que, um quarto das 70% de terras usadas para atividades humanas estão degradadas, com a expansão da agricultura e da silvicultura a contribuir para o aumento das emissões de C02 em 23%, tendo como consequência a perda de ecossistemas e a redução da biodiversidade.

Desperdício Alimentar

Entre 35 e 30% da comida produzida no planeta é desperdiçada, enquanto se estima que 820 milhões de pessoas passem fome em todo o mundo. Combater este problema poderá reduzir a pressão de desflorestação com o objetivo de aumentar os solos agrícolas e aumentar os solos agrícolas.

 O relatório aponta igualmente que a agricultura, silvicultura e criação de gado representam 23% do total de emissões de C02, pelo que recomenda a implementação de políticas que “reduzam o desperdício de comida e promovam a opção por determinados regimes alimentares”.

 

“Algumas escolhas de dieta exigem mais solo e água e causam mais emissões de gases que aprisionam calor do que outras”.

Debra Roberts, copresidente do Grupo de Trabalho II do IPCC.

Respostas aos desafios do solo e das alterações climáticas

A tomada de ações que permitam regenerar solos e florestas, armazenar carbono e reduzir o consumo de carne e o desperdício alimentar são essenciais e podem ajudar a combater, não só o fim dos recursos alimentares, e evitar alterações climáticas descontrolas. Esse caminho só é possível mediante uma abordagem mais saudável e consciente da dieta alimentar necessária para a proteção florestal e dos ecossistemas.

Nesse sentido, o painel de especialistas apela para “ações de curto prazo” contra a degradação dos solos, o desperdício alimentar e as emissões de gases com efeitos de estufa no setor agrícola.

O relatório da ONU deixa claro que a humanidade enfrenta uma escolha entre um ciclo vicioso com consequências potencialmente desastrosas ou a adoção de medidas que as travem. O futuro vai depender das escolhas dos governos, das empresas e de cada um/a de nós.

Não há uma solução milagrosa para travar as alterações climáticas. Consumir menos carne, cultivar a terra com menos produtos químicos e proteger as nossas florestas é a única forma de tentar controlar o aquecimento global.

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