Governo lança campanha para erradicação da mutilação genital feminina

Estima-se que em Portugal vivam 6.500 mulheres excisadas, na maioria originárias da Guiné-Bissau, país que tinha uma taxa de prevalência de 30% em 2014.

No âmbito do dia Internacional da Tolerância Zero Contra a Mutilação Genital Feminina, governo lança a campanha “Não corte o futuro!”

A nova campanha pretende alertar para as consequências desta prática tradicional nefasta no bem-estar e na saúde de meninas e mulheres, mobilizando organizações e profissionais para o trabalho que é preciso fazer concertadamente para a sua erradicação. Houve 63 registos de mutilação genital feminina (MGF) detetada por profissionais de saúde em 2018, sendo que em todos estes casos a mutilação foi praticada fora de Portugal e, em alguns casos, muitos anos antes de ter sido detetada.

Segundo Rosa Monteiro, “Não podemos fechar os olhos à mutilação genital feminina enquanto soubermos que existem mulheres ou meninas em risco. É preciso um trabalho ativo de prevenção na saúde, na educação, na justiça, na segurança social e noutras áreas; temos também de arrancar as várias camadas de invisibilidade que pesam ainda sobre as mulheres e o seu direito à saúde e à sexualidade.”

A campanha é promovida pela Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, pelo Alto Comissariado para as Migrações e pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, em parceria com dez organizações da sociedade civil: Associação Corações com Coroa; Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa; AJPAS – Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e de Saúde; Associação dos Filhos e Amigos de Farim; Associação Mulheres Sem Fronteiras; Associação para o Planeamento da Família; INMUNE - Instituto da Mulher Negra em Portugal; P&D Factor – Associação para a Cooperação sobre População e Desenvolvimento; União das Mulheres Alternativa e Resposta; e Comité Nacional para o Abandono de Práticas Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança (Guiné-Bissau). O grafismo foi concebido pela designer Neusa Trovoada, do INMUNE - Instituto da Mulher Negra em Portugal.

 

A Mutilação Genital Feminina em Números

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Susana Pereira

As práticas religiosas, culturais e os costumes não podem constituir justificação para quaisquer atos de violência contra as mulheres e raparigas. 

Mais de 200 milhões de raparigas e mulheres foram vítimas de mutilação genital feminina em todo o mundo. Milhões de outras meninas correm o risco de ser mutiladas: anualmente 3,9 milhões de raparigas estão em situação de risco, e 15 milhões de meninas entre os 15 e 19 poderão ser submetidas a esta prática até 2030.

No Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina confirmamos a nossa firme determinação em pôr termo a esta prática nefasta que pretende controlar a sexualidade e autonomia das mulheres, e que são comuns a todas as culturas.

O fim da Mutilação Genital Feminina exige uma escolha colectiva na defesa dos direitos humanos, da dignidade e a integridade física das mulheres e raparigas. Tolerância zero todos os dias.

 

por, Susana Pereira

Fundadora da Associação ACEGIS

 

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