Cyntoia Brown foi condenada, em 2004, com apenas 16 anos, a prisão perpétua por matar um homem de 43 anos que a comprou para ser sua escrava sexual. Depois de cumprir 15 anos da pena, a jovem vai ser libertada, segundo avança o governador do Tennessee Bill Haslam nesta segunda-feira, dia 7 de janeiro.

O crime remonta a 2004, altura em que matou Johnny Mitchell Allen, um agente imobiliário de 43 anos. O homem obrigava-a a prostituir-se e abusava sexualmente dela. Cyntoia admitiu o crime premeditado e contou que disparou porque «não aguentava mais ser violada».

O tribunal condenou-a a uma sentença de prisão perpétua, sendo que só poderia ser elegível para liberdade condicional em 2055. Esta semana o governador do Tennessee, nos EUA, Bill Haslam, concedeu clemência judicial a Cyntoia uma vez que a pena era “demasiado severa, em especial à luz dos passos extraordinários dados pela senhora Brown para reconstruir a sua vida”.

Cyntoia Brown, agora com 30 anos, sairá da prisão no dia 7 de agosto, após cumprir 15 anos da sentença. Ficará em liberdade condicional até 2029.

O caso chamou a atenção não só de inúmeras ativistas e personalidades da área do Direito norte-americano, mas também de celebridades como a comediante Amy Schumer, Kim Kardashian, Rihanna, ou a atriz Ashley Judd que se insurgiram contra o facto de Brown, vítima adolescente de tráfico sexual, ter sido julgada desta maneira.

Mais de cem mil pessoas assinaram em 2017 uma petição pedindo liberdade para a condenada.

Em 2011, o realizador Dan Birman decidiu fazer um documentário sobre a história de Bown. Em Me Facing Life: Cyntoia’s Story, é relatado como a jovem viveu os sete anos de prisão cumpridos e é relembrado como esta contou detalhadamente durante o seu julgamento em 2004 os abusos que sofreu por parte de Allen, tendo sido sufocada, agredida, arrastada e com uma arma apontada à cabeça várias vezes.

O caso de Cyntoia Brown contribuiu para a mudança de lei no Tennesse. Atualmente, alguém com 18 anos ou menos não pode ser acusado de prostituição. Se o julgamento da norte-americana tivesse sido feito nos últimos anos, a jovem teria sido considerada vítima de tráfico humano infantil.

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