Portugal um dos países mais pobres e desiguais da OCDE

Portugal um dos países mais pobres e desiguais da OCDE

 

Apesar de o fosso entre os ricos e os pobres ter diminuído, Portugal continua entre os país mais desiguais e com maiores níveis de pobreza consolidada da OCDE.

 

Portugal - Pobreza

Nas últimas três décadas, a distância entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres aumentou na maioria dos países desenvolvidos.

 

Os 10% mais ricos da população total da OCDE ganham agora 9,6 vezes mais do que os 10% mais pobres, quando nos anos 80 ganhavam 7,1 vezes mais.

A desigualdade de rendimento atingiu o seu valor mais elevado na maioria dos países da OCDE, conclui o mais recente relatório desta organização, In It Together: Why Less Inequality Benefits All (21-05-2015).

O coeficiente Gini médio dos países da OCDE a 18 situa-se, em 2012, nos 0,319 – o mais elevado desde que há registo.

 

 


O relatório conclui que, entre 2007 e 2011, a maioria dos países da OCDE registou um aumento na desigualdade do rendimento disponível.

Entre os países com maior nível de desigualdade estão o México e os Estados Unidos, com o coeficiente de Gini superior a 0,4. Pelo contrário, a Eslovénia e a Dinamarca apresentam os valores mais baixos, com um Gini inferior a 0,25. Os países nórdicos continuam a ter os níveis de desigualdade mais baixos na OCDE.

 

  • Portugal

 

No conjunto de trinta países, Portugal tem o sétimo valor mais elevado neste indicador (0,338), permanecendo acima da média da OCDE. Os 10% mais ricos da população na OCDE auferem agora um rendimento 9,6 vezes superior ao dos 10% mais pobres – em relação a 2007, houve um aumentou 0,4 pontos.

Os dados para Portugal revelam que, após um período de diminuição da amplitude entre os 10% mais pobres face aos 10% mais ricos, registado entre 2007 e 2009 (-1,3), este indicador de desigualdade tem vindo a piorar desde 2010 (+ 0,6 pontos).

No conjunto dos países OCDE, Portugal é o oitavo com maior desigualdade, posição que ocupa neste ano com a Coreia do Sul.

Portugal é igualmente dos países com maiores níveis de pobreza -12,9%: nos últimos dois anos, é possível constatar uma subida de +0,9 pontos percentuais nesta taxa e, desde 2011, o país encontra-se acima da média da OCDE (11,7%).

 Também, a taxa de pobreza é superior nos grupos etários com menor idade (< 18 anos, 17,8%; 18-25 anos, 15,8%), o que não difere da tendência já identificada pela OCDE para os restantes países, neste e em relatórios anteriores (consultar aqui), de que, nos últimos 25 anos, o perfil da população em maior risco de pobreza mudou dos idosos para os jovens.

 

Maior desigualdade afecta crescimento

 

Na Grécia, Irlanda e Portugal, o aumento da desigualdade nos rendimentos de trabalho foi fortemente influenciada pelos efeitos do desemprego, no entanto, as diferenças salariais reduziram-se por causa dos cortes nos salários do sector público.

“O aumento da desigualdade tem um impacto significativo no crescimento económico, em parte porque reduz a capacidade dos segmentos mais pobres – os 40% mais pobres da população, para sermos exactos – em investir em competências e educação, concluem os autores.

 

Para reduzir as desigualdades e promover o crescimento, a OCDE sugere que os governos promovam a igualdade de género no emprego e o acesso a emprego de qualidade, e que tomem medidas que encorajem o investimento em educação e na formação ao longo da vida.

Ao nível dos impostos, propõe-se que se agrave a carga fiscal sobre os mais ricos e que se crie apoios ao rendimento dos mais pobres, tanto trabalhadores, como desempregados.

 


In It Together_ Why Less Inequality Benefits All

 

Leia aqui o Relatório

 In It Together: Why Less Inequality Benefits All 

 

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