Susana Pereira - ACEGIS 20158 de Março Dia Internacional da Mulher

Crise económica e desigualdades – Artigo ACEGIS

 

As disparidades salariais, o equilíbrio entre a vida profissional e privada e a violência de género persistem entre os maiores obstáculos à igualdade de género.

As mulheres continuam a estar sobre-representadas nos sectores com salários mais baixos e sub-representadas nos cargos de decisão e nos conselhos de administração.


Crise económica e desigualdades – Artigo ACEGIS


As disparidades salariais, o equilíbrio entre a vida profissional e privada e a violência de género persistem entre os maiores obstáculos à igualdade de género. As mulheres continuam a estar sobre-representadas nos sectores com salários mais baixos e sub-representadas nos cargos de decisão e nos conselhos de administração.

Os conselhos de administração das empresas são dominados pelos homens:

 

  • 85% dos membros não-executivos dos conselhos de administração e 91,1% dos membros executivos dos conselhos de administração, enquanto as mulheres representam apenas 15% e 8,9%, respetivamente.
  • Apenas 1 em cada 7 membros (13,7%) dos conselhos de administração das principais empresas europeias é uma mulher.

 

Na União Europeia há apenas 5 % de mulheres nos processos de decisão das instituições financeiras e que todos os governadores dos bancos centrais dos 27 Estados-Membros são do sexo masculino.

Em 2011, a percentagem de mulheres em conselhos de administração das empresas do PSI 20 era de apenas 6%.


 

Em Portugal apenas 6% dos membros dos Conselhos de Administração das empresas que em 2011 integravam o PSI 20 eram mulheres, valor não só inferior à média da UE e muito aquém da meta de 40% definida pela Comissão Europeia para 2020.

Paralelamente persistem as discrepâncias salariais homens e mulheres, não obstante o princípio da igualdade de remuneração entre homens e mulheres por trabalho de  valor igual esteja consagrado nos Tratados da União Europeia.

 

 

De facto, as mulheres na União Europeia continuam a ganhar, em média, menos 16,2 % do que os homens. Em Portugal essa diferença é ainda mais acentuada, em 1,8 pontos percentuais em relação à média da UE (18%), tendo como as consequentes desigualdades nos respetivos níveis de subsídio de desemprego.

Dados do Eurostat, indicam que em 2010 as mulheres ganhavam em média menos 7987 €/ ano do que os homens, tendo um salário médio de 26 390€.


 

A precariedade no trabalho é igualmente mais acentuada nas mulheres. O emprego a tempo parcial e a parentalidade são condicionantes que se refletem no trabalho a tempo parcial.

Em 2011 a taxa de trabalho a tempo parcial era de 31,6% no sexo feminino e somente 8,1% no sexo masculino, uma diferença de 23.5 pontos percentuais, sendo que quase um terço (32%) das mulheres europeias com uma criança com menos de seis anos, em 2011,  trabalhou a tempo parcial.

Destacamos no entanto, algumas tendências positivas designadamente como o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho e a melhoria do seu nível de educação e formação profissional. Na União Europeia (UE) entre 1998 e 2008, a criação de emprego feminino aumentou de 55,6 %  para  62,8 %.

Um indicador que segue em linha com a taxa de emprego feminino que aumentou em 12,7%, e apenas 3,18% no sexo masculino.  Porém, em 2012 a taxa de desemprego das mulheres (10,7%) manteve-se ligeiramente superior à  homens (10,6%).

 


 

A ACEGIS neste dia Internacional da Mulher recorda que há ainda um longo percurso a percorrer em matéria de igualdade de género e direitos das mulheres.

Entendemos que é necessário promover e implementar efetivamente o princípio da igualdade de oportunidades e igualdade de tratamento entre homens e mulheres em domínios ligados ao emprego e a atividade profissional.

 

O direito ao trabalho é condição essencial na igualdade de direitos, independência económica e na realização profissional, pessoal e social das mulheres. É essencial na construção de umas sociedades mais justa, paritária e desenvolvida.  

 

por  Susana PereiraFundadora da ACEGIS

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