Portugal atrasado na responsabilidade social

A responsabilidade social em Portugal é algo ainda muito atrasado e, muitas vezes, associada a um conceito “errado” de solidariedade e acções filantrópicas das empresas. Uma nova norma internacional foi agora alcançada e deverá ser aprovada ainda este ano.

As empresas portuguesas estão “mais avançadas do que muitas outras em termos de mercado mundial” na responsabilidade social, mas estão ainda atrasadas em relação aos mercados europeus. “Temos muito que fazer”, admitiu, ao JN, o presidente da Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE) que, na semana passada, participou na definição final da nova norma internacional que vai regular a responsabilidade social (a ISO 26000).

Segundo Mário Parra da Silva, a norma foi trabalhada ao longo dos últimos cinco anos e, na passada sexta-feira, foi aprovada numa reunião do grupo de trabalho da ISO, que reuniu mais de 400 delegados de todo o mundo em Copenhaga, na Dinamarca. E que integra representantes de empresas, governos, sindicatos, organizações não governamentais e consumidores. Agora, a norma será votada pelos 153 países que compõem a Organização Internacional de Normalização e só depois poderá entrar em vigor, o que deverá acontecer ainda este ano. Parra da Silva diz que “entre nós continua a difundir-se o conceito errado de que a responsabilidade social é coisa das empresas e que passa por acções filantrópicas e de solidariedade”. Na verdade, “a responsabilidade social tem a ver com o próprio negócio, com as actividades de todas as organizações e com as expectativas das partes interessadas”, onde se incluem a comunidade, as gerações futuras e a natureza.

Riqueza, emprego e energia

Ser uma empresa/organização socialmente responsável “tem a ver com a ampliação dos impactes positivos que a actividade gera sobre as pessoas, tecido económico e natureza e, em paralelo, com a minimização dos impactes negativos”. “Tem a ver com gerar riqueza e emprego, reciclar, gerir energia, promover direitos humanos, apoiar a cadeia de valor e implantar bons processos de governação” e não com “a quantidade de dinheiro que se distribui pelos necessitados”, diz.

Mário Parra da Silva explica que uma empresa socialmente responsável é “ética“, tem um conceito “mais alargado de lucro” – que inclui remunerações adequadas, serviço à comunidade, geração de valor para clientes e fornecedores – e integra plenamente os trabalhadores na vida da organização. No conceito internacional de responsabilidade social, “nenhuma empresa é melhor que a outra”, visto que o processo para uma sociedade mais competitiva e feliz é “contínuo e exige a integralidade”.

por Gina Pereira, in Jornal de Notícias