Estima-se que 70 mil a 75 mil portugueses emigram todos os anos

O coordenador do Observatório da Emigração adiantou hoje, no Parlamento, que, em média, 70 mil a 75 mil portugueses emigram cada ano, ressalvando, no entanto, que não existem dados fiáveis.

Ouvido pela comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, Rui Pena Pires disse ter “sérias dúvidas” de que o número de emigrantes portugueses tenha aumentado em 2009, considerando que o movimento migratório se mantém “estável”.

“A emigração neste momento andará provavelmente entre os 70 a 75 mil por ano. Aproxima-se da média dos anos 1960, mas está abaixo dos anos de maior emigração”, afirmou, explicando aos deputados as várias dificuldades que impedem uma obtenção de dados fiáveis.

“Não há em Portugal dados fiáveis sobre a emigração, vivemos num regime democrático onde as pessoas são livres de sair do pais quando quiserem. Há estatísticas razoavelmente fiáveis sobre entrada, mas praticamente um vazio sobre as pessoas que saem”, explicou Rui Pena Pires.

“Nós não medimos a emigração, medimos manifestações de emigração”, realçou Rui Penas Pires, lembrando que actualmente o observatório “tem recursos limitados e a sua missão é também restrita”.

No início dos trabalhos, o deputado do CDS Ribeiro e Castro, que preside à comissão, destacou o interesse que o eventual aumento da emigração, “num contexto de crise e desemprego”, tem merecido, salientando ser também “uma das principais preocupações da comissão”.

“É um fenómeno que devemos conhecer melhor”, afirmou

O deputado do PS Paulo Pisco respondeu lembrando que não se pode “culpar unicamente” a situação económica do país pela emigração, lembrando a necessidade de “captar a natureza desses fluxos”.

Contrapondo, o coordenador do Observatório realçou que actualmente o problema do país “não é a possibilidade de a emigração ter aumentado, mas de a imigração para o país estar a perder atração”.

Por outro lado, Rui Pena Pires lembrou que, apesar de ser “impossível conseguir saber com rigor quantos portugueses há em todos os países de emigração, é possível aproximar-nos [dessa realidade] em países como a França Suíça ou Espanha”.

O responsável explicou também que um dos “equívocos que se criou” atualmente é que as pessoas que emigram sejam mais qualificadas.

 O responsável disse que é “preciso ter cuidado” com os números do Banco Mundial que dão conta de 20 por cento dos licenciados portugueses a viver e trabalhar no estrangeiro.

“Esses dados dão apenas conta de que vinte por cento das pessoas que nascem em Portugal trabalham lá fora. Não dizem se essas pessoas se licenciaram em Portugal ou no estrangeiro”, lembrou.

Rui Pena Pires disse ainda “não conseguir ter uma imagem negativa sobre a emigração”: “O que mais me preocupa não é como evitar a emigração, mas como compensar a imigração”, reiterou.

Fonte: Jornal de Notícias