Como conciliar família e emprego?

Empresas podiam adoptar sistema de banco de horas e ter creches, defendem especialistasDevem ser criados mecanismos de conciliação da vida familiar com o emprego. As empresas poderiam adoptar um sistema de banco de horas. A mulher teria que trabalhar um certo número de horas por semana, mas poderia gerir esse tempo como bem entendesse, por forma a poder assistir à família. Ou, então, adoptar-se um regime compensatório: a mulher ausenta-se sempre que preciso, mas compensa em outra altura, não prejudicando nem a família, nem o trabalho”, avançou o economista Luís Bento., acrescentou. Por fim, relativamente, ainda, às mulheres mais novas, “deveria ser crime público despedir uma grávida”, sugeriu.

A pobreza no feminino – tema de Março neste Ano Europeu – é preocupante. Mulheres sozinhas com os filhos ou idosas enfrentam riscos acrescidos. Medidas que conciliem trabalho e família, e programas locais de apoios sociais podem ser decisivos.

Não será de mais recordar que a taxa de pobreza para as famílias monoparentais portuguesas – e 90% são encabeçadas por mulheres – é de 39%; e que para as mulheres com 65 anos ou mais é de 24%, mais cinco pontos percentuais que nos homens.

Uma mulher com filhos pequenos ou grávida, por exemplo, dificilmente arranja emprego. Basicamente, não é possível falar de pobreza no feminino sem perceber que as possibilidades de entrada no mercado de trabalho são determinadas pelos modelos de vida familiar. Se à mulher cabe o trabalho doméstico e a tarefa de cuidar, não terá tanta disponibilidade laboral. Mas tudo isto poderia ser contornado.

Importante seria também que as empresas tivessem creches, “geridas pelas juntas de freguesia e pelas associações de empresas”, defendeu. “As associações patronais continuam alheias a isto. A Associação de Jovens Empresários deveria dar o exemplo”

Relativamente às mais idosas, em que o risco de pobreza é profundo, “as autarquias deveriam investir em programas de apoio social. Era menos meia dúzia de rotundas. Há autarquias que apoiam bastante os mais desfavorecidos. Deveria generalizar-se”, concluiu.

Por LEONOR PAIVA WATSON in Jornal de Notícias